Se você trabalha com música ao vivo, provavelmente já ouviu falar de rider. Mas há muita confusão sobre o que esse documento deve conter, quem é responsável por ele e como garantir que ele seja cumprido.
Vamos esclarecer tudo isso de forma prática.
O que é o rider técnico
O rider técnico é o documento que especifica as condições técnicas necessárias para a apresentação de um artista. Ele detalha equipamentos, estrutura de palco, backline, PA, iluminação, necessidades de camarim e requisitos de produção.
É um documento de trabalho, não de luxo. Um rider bem feito protege o artista e a produtora local — fica claro o que era esperado e o que foi entregue.
Rider técnico vs. rider de hospitalidade
Os dois riders têm funções diferentes:
Rider técnico: tudo relacionado à produção do show. Equipamentos, palco, som, luz, backline, posicionamento de monitores, necessidades especiais de áudio.
Rider de hospitalidade: camarins, alimentação, bebidas, acomodação, transporte. O que o artista precisa para estar em boas condições antes e depois de se apresentar.
Em termos práticos, são dois documentos separados ou duas seções do mesmo documento. Para a maioria dos artistas em início e meio de carreira, os dois juntos cabem em uma ou duas páginas.
O que incluir no rider técnico
Palco e estrutura
- Dimensões mínimas do palco (largura × profundidade × altura)
- Piso antiderrapante
- Saída de energia no palco (voltagem, amperagem disponível)
- Praticáveis se necessário
Sistema de PA
- Potência mínima em watts RMS por canal
- Cobertura necessária para a capacidade do local
- Especificações de subwoofer
- Delay towers se o local exigir
Backline
Liste exatamente o que o artista traz e o que o contratante precisa providenciar. Seja específico: "Amplificador de guitarra Fender Twin Reverb 65W ou similar classe A" é útil. "Um bom amp de guitarra" não é.
Monitoring
- Número de mixes de monitor
- Tipo de monitor (wedge ou IEM)
- Se IEM, especifique o sistema (transmissores Shure, Sennheiser, etc.)
Console
- Número de canais de entrada necessários
- Preferência de console (DiGiCo, Yamaha CL, Avid, etc.)
Iluminação
- Número mínimo de moving heads ou PAR LED
- Cor de ciclorama se relevante
- Seguidor se necessário
Como enviar o rider
Formato: PDF, nunca Word editável. Você não quer que o rider seja alterado acidentalmente.
Quando enviar: Junto com o contrato ou no máximo 30 dias antes do show. Para grandes produções, pode ser necessário enviar ainda mais cedo.
Para quem enviar: Para o produtor técnico do local, com cópia para o contratante. Nunca apenas para o contratante que pode não ter experiência técnica.
Confirmação: Peça confirmação por escrito de que o rider foi lido e será atendido. Se houver itens que não podem ser cumpridos, isso precisa ser discutido antes — não no dia do show.
Verificação no dia
Chegando ao local, a primeira tarefa do road manager ou do técnico do artista é passar item por item do rider verificando o que está ou não está em conformidade.
Se algo não estiver correto, você tem duas opções: resolver na hora (se possível) ou documentar a divergência. Divergências documentadas podem ter implicações contratuais.
Erros comuns
Rider genérico: Usar o mesmo rider para todos os shows sem adaptar para o contexto. Um show acústico em bar intimista não precisa do mesmo rider de um festival.
Rider desatualizado: O artista mudou de setup — adicionou músicos, mudou instrumentos — e o rider ainda tem informações antigas. Revise a cada ciclo de shows.
Rider sem alternativas: Especificar marcas específicas sem aceitar similares fecha o acordo para produções menores. Ofereça alternativas aceitáveis.
Rider sem contato técnico: Coloque sempre o contato direto do técnico do artista para dúvidas. Sem isso, o produtor local não tem para quem ligar quando surgem dúvidas.
Rider no PALQO
No PALQO, o rider fica vinculado ao perfil do artista e pode ser acessado por toda a equipe. Ao confirmar um show, o rider atual do artista fica disponível para referência — sem precisar procurar em email ou pasta de arquivos. Veja como funciona.